Uma mulher de 51 anos, diretora de uma instituição de acolhimento feminino, foi presa temporariamente nesta segunda-feira (23/3), durante a Operação Elas por Elas, deflagrada pela Polícia Civil da Bahia no município de Jequié. A investigada é suspeita de crimes como tortura, peculato, estelionato e lavagem de capitais. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão, foram recolhidos aparelhos celulares, computadores, documentos e um veículo modelo Corolla Cross. Todo o material será analisado para auxiliar no aprofundamento das investigações. De acordo com as apurações, a mulher, que atuava como presidente da associação voltada à proteção de vítimas de violência doméstica, teria cometido agressões físicas e psicológicas contra acolhidas da instituição, incluindo uma adolescente de 17 anos. Também foram identificados indícios de irregularidades financeiras, com possível desvio de recursos públicos e movimentações consideradas suspeitas. As investigações apontam ainda para a instalação de câmeras de monitoramento em ambientes privados da instituição, o que configura violação à intimidade das acolhidas. Segundo o diretor da Diretoria Regional de Polícia do Interior (DIRPIN/Sudoeste), delegado Roberto Júnior, “as investigações policiais se iniciaram a partir da obtenção de informações testemunhais de que a suspeita, presidenta da associação, praticava, com habitualidade, atos de violência física e psicológica em detrimento de acolhidas. Em confirmação às imputações, tivemos acesso a uma mídia extraída diretamente do sistema de gravações da entidade, em que é possível constatar, com clareza, a mulher praticando atos de tortura em face de assistida que, à época, possuía apenas 17 (dezessete) anos de idade. O ato durou mais de sete minutos, contando com puxões de cabelo, arrastamento, imobilização, tapas, chacoalhões e emprego de corrente ao redor dos pulsos da vítima”. A Justiça determinou o afastamento cautelar da diretoria da entidade, além da nomeação de um interventor judicial para a administração provisória do local. Também foi autorizado o acesso aos dados armazenados nos dispositivos eletrônicos apreendidos. A decisão prevê ainda o encaminhamento das possíveis vítimas para a rede de proteção social, com acompanhamento especializado. As diligências foram realizadas pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de Jequié, com apoio da 9ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior, da Deam de Vitória da Conquista, da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes, do Departamento de Polícia Técnica e de unidades territoriais de Jequié, Jaguaquara e Ipiaú, além da Diretoria Regional de Polícia do Interior do Sudoeste.