O novo formato do Mundial de Clubes da FIFA tem promovido um movimento pouco comum no futebol brasileiro: a união das torcidas. Nas redes sociais, é crescente o número de manifestações de apoio não apenas ao próprio time, mas também aos outros três clubes brasileiros participantes da competição. Botafogo, Palmeiras, Flamengo e Fluminense, que representam o país no torneio, têm recebido apoio cruzado de seus torcedores, deixando de lado, ao menos momentaneamente, a rivalidade local. A principal motivação por trás desse movimento parece ser a velha e conhecida disputa entre o futebol sul-americano e o europeu. A hegemonia dos clubes europeus nos últimos anos, aliada às constantes críticas de que o futebol brasileiro estaria em decadência, fortaleceu entre os torcedores um sentimento de valorização do que é produzido dentro do país. O Mundial, na visão de muitos, vai além da disputa por um título. Para parte da torcida, o desempenho dos clubes brasileiros na competição serve também como uma resposta direta à ideia de que, para estar entre os melhores do mundo, é preciso atuar na Europa. As boas atuações até aqui reforçam que o futebol brasileiro segue competitivo e capaz de desafiar potências financeiras do cenário internacional. Outro ponto que chama a atenção é a percepção crescente de que dinheiro, embora relevante, não garante vitórias. Elencos bilionários têm encontrado dificuldades diante da técnica, da garra e da tradição dos clubes brasileiros, que, até o momento, fazem uma campanha que enche de orgulho seus torcedores e também a torcida brasileira como um todo. Ainda na fase classificatória, Botafogo, Palmeiras, Flamengo e Fluminense vêm representando com competência não só suas cores, mas todo o futebol brasileiro no cenário mundial. A rivalidade, pelo menos por enquanto, dá lugar ao orgulho nacional.



