MPBA denuncia mais de 10 mil casos de violência doméstica e registra 247 feminicídios em um ano

O Ministério Público do Estado da Bahia denunciou mais de 10 mil casos de violência doméstica à Justiça no período entre março de 2025 e março de 2026. No mesmo intervalo, foram contabilizados 247 feminicídios denunciados pelo órgão, evidenciando a gravidade da violência contra mulheres no estado. O número de denúncias representa um aumento significativo em relação ao período anterior, quando foram registrados 8.106 casos entre março de 2024 e março de 2025. A maioria das vítimas é composta por mulheres que sofreram diferentes tipos de violência, como agressões físicas, psicológicas, morais e patrimoniais, muitas vezes dentro do próprio ambiente familiar. Além das denúncias, o MPBA se manifestou em 27.916 pedidos de medidas protetivas ao longo do período analisado. O Núcleo de Enfrentamento às Violências de Gênero em Defesa dos Direitos das Mulheres realizou, em 2025, mais de mil atendimentos a vítimas. Coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal, o promotor de Justiça Adalto Araújo destacou a atuação contínua da instituição no enfrentamento à violência. “Acreditamos que essa luta diária, somada ao esforço de toda a comunidade, pode ajudar a transformar a sociedade, para que toda mulher possa viver num mundo de mais equidade e paz”, afirmou. A coordenadora do núcleo, a promotora Sara Gama, classificou os dados como alarmantes e ressaltou que cada número representa vidas interrompidas e famílias impactadas. “Uma tragédia acontece quando ocorre uma morte brutal de uma mulher pelo simples fato de ser mulher, pelo fato de recusar um relacionamento abusivo, que inclusive tem sido o maior mote desses assassinatos”, pontuou. Segundo ela, é fundamental ampliar as ações de prevenção e envolver a sociedade no debate. “Este é um movimento que precisa ser intensificado por todas as instituições e nós, Ministério Público, temos o dever constitucional de oferecer as denúncias, responsabilizar os criminosos e fortalecer estratégias, principalmente com ações preventivas”, afirmou. A promotora também destacou que o trabalho do MPBA vai além da esfera criminal, com iniciativas voltadas à conscientização, por meio de campanhas e atividades educativas em escolas e espaços de atendimento à saúde da mulher. Para o órgão, a mudança no cenário depende de uma transformação social ampla, com participação conjunta de instituições e da sociedade, visando reduzir os índices de violência e garantir mais proteção às mulheres.

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