O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou ofícios a órgãos estaduais e federais solicitando providências urgentes após um atentado contra ambientalistas registrado na região da Serra da Chapadinha, no município de Itaetê, na Chapada Diamantina. Entre as medidas cobradas estão a investigação rigorosa do crime, proteção às vítimas e comunidades ameaçadas e a criação de uma unidade de conservação de proteção integral para preservar a biodiversidade e os recursos hídricos da área. Os documentos foram enviados à Secretaria da Casa Civil da Bahia, Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), Procuradoria-Geral do Estado (PGE-BA), Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC). O atentado ocorreu entre a madrugada de 30 de abril e 1º de maio, na Pousada Toca do Lobo, localizada na Serra da Chapadinha, em Itaetê. Segundo o MPF, um grupo formado por seis a sete homens encapuzados e fortemente armados invadiu o local e rendeu um casal de ambientalistas. Durante cerca de duas horas, os criminosos efetuaram disparos, destruíram sistemas de energia solar, computadores e equipamentos de monitoramento, além de ameaçarem as vítimas. Conforme relato das vítimas, os suspeitos afirmaram que o trabalho ambiental desenvolvido na região estaria “atrapalhando o progresso” e dificultando a entrada de mineradoras na área. O procurador da República Ramiro Rockenbach destacou que o caso representa uma ameaça não apenas aos ambientalistas, mas também às comunidades tradicionais e à preservação ambiental da região. “O atentado representa uma grave ameaça não apenas à integridade física dos ambientalistas, mas também ao direito coletivo ao meio ambiente equilibrado e à proteção das comunidades tradicionais que atuam historicamente na preservação da Serra da Chapadinha”, afirmou. Para os órgãos federais, o MPF estabeleceu prazo de 15 dias para apresentação de informações sobre as medidas adotadas. Entre as solicitações feitas pelo órgão estão a ocupação do Posto Avançado Toca do Lobo pelo MMA e ICMBio, garantindo a continuidade das atividades ambientais na região, além da criação de uma unidade de conservação na categoria Refúgio de Vida Silvestre. O MPF também pediu a implementação de planos de proteção para os ambientalistas vítimas do ataque, comunidades tradicionais e trabalhadores rurais que atuam na preservação da floresta. Em agosto de 2023, o Ministério Público Federal já havia recomendado ao Governo da Bahia e ao Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) a criação da unidade de conservação na Serra da Chapadinha. A recomendação orientava ainda o cancelamento de licenças minerárias concedidas sem consulta prévia às comunidades tradicionais e a proibição de supressão vegetal na área. A proposta busca proteger mais de 14 mil hectares distribuídos entre os municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê. A Serra da Chapadinha é considerada estratégica para a segurança hídrica da região, sendo responsável pela recarga das águas da sub-bacia do Rio Una, além de abrigar remanescentes de Mata Atlântica e espécies ameaçadas de extinção.



