Instabilidade no fornecimento de energia compromete abastecimento de água em Caetité

A população da sede de Caetité e do distrito de Maniaçu enfrenta, desde 19 de novembro do ano passado, restrições no acesso à água tratada em razão de falhas recorrentes no fornecimento de energia elétrica. Segundo a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), o problema é provocado por frequentes quedas de tensão na rede de alta tensão operada pela Neoenergia Coelba, que atende às estações de bombeamento do Sistema Adutor do Algodão. De acordo com a Embasa, entre 19 de novembro de 2025 e 8 de janeiro de 2026, passaram-se 51 dias, dos quais apenas 10 registraram abastecimento regular para os 14.372 domicílios atendidos no município. A empresa explica que, após cada interrupção, o retorno da água às residências não é imediato, pois depende do reenchimento da adutora, dos reservatórios e de toda a rede de distribuição. O sistema de abastecimento de Caetité capta água no Rio São Francisco, no município de Malhada, e na barragem de Ceraíma, em Guanambi. A água tratada é transportada até Caetité por uma adutora de 42,5 quilômetros de extensão, com vazão de 320 metros cúbicos por hora, operada por cinco estações de bombeamento que utilizam energia elétrica de alta tensão. A Embasa esclareceu que esse tipo de energia é diferente daquela utilizada em residências e comércios, o que explica a presença de eletricidade nos imóveis mesmo quando falta água nas torneiras. As estações elevatórias estão localizadas na zona rural e dependem de tensão adequada para manter as bombas em funcionamento. Sempre que ocorre queda de tensão, os equipamentos desligam automaticamente, interrompendo o envio de água. O gerente regional da Embasa, Leomar Silva, informou que a empresa tem comunicado todas as ocorrências à concessionária de energia, solicitando o restabelecimento do fornecimento adequado. Ele destacou que, desde novembro, houve episódios em que as estações permaneceram muitas horas sem energia suficiente, a exemplo do período entre 5 e 8 de janeiro, quando foram registradas 64 horas sem condições de operação. As sucessivas falhas no fornecimento elétrico têm inviabilizado a regularidade do abastecimento, já que, após cada paralisação, o tempo estimado para a normalização gradativa em toda a sede de Caetité é de cerca de 60 horas. No final de dezembro, representantes das áreas técnica e operacional da Embasa se reuniram com diretores da Neoenergia Coelba para conhecer o plano de verão da concessionária, que previa ações para garantir a regularidade do atendimento aos sistemas de água e esgoto. Diante da continuidade das falhas e do agravamento da situação desde o fim do ano, a Embasa informou que iniciou os procedimentos para acionar administrativamente a concessionária junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), solicitando solução definitiva para o problema e reparação dos danos causados.

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